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Um passaporte taiwanês passa no filtro do ID.me? Três semanas de luta para chegar aos open data do USPTO

Notas2026.06

Como agente de patentes de Taiwan (profissional habilitado em patentes em Taiwan), eu queria me conectar à API de open data do USPTO (o Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos), mas acabei travado justamente em um posto de verificação de identidade chamado ID.me. Do início do pedido até o dia em que finalmente passei, toda essa provação se arrastou por quase três semanas. Sou também muito grato a um colega americano que havia percorrido o mesmo caminho antes de mim e que me permitiu confirmar que essa via — a de que um não americano também pode passar na verificação — é de fato transitável.

Digo logo a conclusão: com um passaporte taiwanês dá para passar, mas o caminho não é nada fácil.

A página da conta do USPTO, mostrando o selo verde “ID.ME VERIFIED” de verificação concluída

A primeira cilada: o percurso de cadastro

É preciso ter cuidado logo de início. Ao se cadastrar, você tem obrigatoriamente que escolher o percurso “Não moro nos Estados Unidos”; faça o que fizer, não toque no Self-Service, senão será desviado para um beco sem saída que exige um SSN (o número de seguro social dos EUA).

Em seguida vem o campo do número de telefone, que está travado nos códigos de área dos EUA. Na versão para celular eu não encontrava nenhum link para pular essa etapa; só resolvi o problema ao passar para a versão de computador.

Uma página de ajuda do site do USPTO que lista os requisitos para a verificação com ID.me, entre eles um documento de identidade com foto emitido pelo governo e um número de seguro social

O segundo obstáculo: a análise dos documentos

A análise dos documentos também me barrou. Minha carteira de motorista foi recusada por ser um documento que não está em inglês, de modo que não me restou outra opção senão anexar eu mesmo uma tradução chinês-inglês e reenviá-la.

Depois disso veio a longa espera. Aquela ansiedade de não saber se você de fato passou ou não é, na verdade, bastante desgastante.

Uma tela do processo de verificação do ID.me que pede para inserir o nome a fim de continuar

O terceiro obstáculo: agendar a videochamada é questão de sorte

Agendar a verificação por vídeo é, ainda mais, questão de sorte. O tempo de espera ficava o tempo todo oscilando entre uns vinte e poucos e uns quarenta e poucos minutos. A minha conclusão é esta: assim que a página mostrar uma espera de mais de uma hora, basicamente é melhor não contar que a sua vez chegue naquele dia.

Além disso, com o horário do agendamento também é preciso ter um cuidado especial. O horário que o sistema mostra é o local GMT+8 ou o horário central dos EUA? Essa é outra grande cilada: à menor distração, você o perde.

A videochamada em si: surpreendentemente tranquila

O processo da videochamada em si acabou se revelando bem interessante. Eu tinha preparado uma pilha de colas em inglês, morrendo de medo de ficar sem resposta, e acabei topando com um agente de verificação de sotaque carregadíssimo: eu mal conseguia entender uma palavra do que ele dizia e não me restou senão criar coragem e seguir as suas instruções.

Por sorte, em nenhum momento me criaram qualquer dificuldade; a pessoa do outro lado examinou os documentos, conferiu o meu rosto e, em uns dez e poucos minutos, estava resolvido.

A tela de verificação por vídeo do ID.me em andamento, na qual se lê “ID.me is verifying your identity” e se vê a webcam do próprio autor

Basta sofrer uma única vez

Basta sofrer uma única vez. Depois que você passa na verificação, daí em diante consegue fazer login diretamente em todos os serviços do governo dos EUA que utilizam o ID.me.

Agora consigo extrair diretamente o texto completo das patentes e das marcas do USPTO, bem como a prosecution history (o histórico de tramitação do exame). Depois dessas três semanas de luta, no fim das contas valeu a pena.