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De onde vem o gás difuso de uma galáxia? Sobre a importância do processamento linear

Fase linear2022.02

Algumas pessoas talvez tenham este mal-entendido: acham que aquela camada de gás difuso esbranquiçado de uma galáxia é algo que o PixInsight “inventa”. Na verdade, não é. Esse gás é um sinal que já existia nos dados; com o Photoshop dá para trazê-lo à tona do mesmo jeito. O motivo de ele não aparecer é principalmente este — converter a imagem direto para não linear, sem ter passado pelo processamento linear, desperdiça à toa uma boa quantidade de detalhe.

Dois erros comuns

Além de pular o processamento linear, outro erro grave é usar JPG para compor um LRGB. O JPG tem apenas 8 bits, e a quantidade de dados nele simplesmente não basta. Assim, o detalhe de luminância se perde quase por completo, e no fim só sobra uma saturação de cor oca — e que, ainda por cima, nem parece bem equilibrada. A boa qualidade da imagem original é desperdiçada bem assim.

Esse tipo de exercício não adianta, por mais que você o repita, porque o fluxo e os conceitos estão errados desde o início. Eu mesmo já tentei processar imagens dessa maneira e, de fato, sai uma imagem bem rápido, mas você bate numa parede igualmente rápido — justamente porque o método é errado, não se vai longe.

Já ouvi muitos novatos dizerem que assistir a um tutorial sério de astrofotografia dá sono. Mas esses fluxos em regra abordam tanto a ordem dos passos quanto os aspectos conceituais, e quem ainda não os tem muito claros faz bem em voltar e folheá-los de novo.

Bom material precisa de mais processamento, não de menos

O processamento de imagens de céu profundo não é bem como cozinhar. O material com boa qualidade de imagem, pelo contrário, precisa de mais processamento, para evitar desperdiçar esses dados. Já os materiais que não foram lá muito bem captados é que de fato conseguem “virar imagem depressa” — porque, para começar, não havia neles muito detalhe a ser extraído.

Em outras palavras, a rapidez com que se obtém uma imagem não equivale à qualidade do processamento. Quando o que você tem em mãos é um bom conjunto de dados, rico em detalhe, só estando disposto a dedicar o tempo para percorrer até o fim o fluxo em regra é que você faz jus a esse material.

Um resultado processado de qualquer jeito anos atrás, a partir dos mesmos arquivos originais, com um fluxo alheio ao PI (composição no APP, processamento no Lightroom, composição no Photoshop Mix, passando por JPG); o detalhe de luminância e de cor é nitidamente insuficiente

Um último complemento: por ora, os apps em celulares e tablets só servem para ajustes de cor simples; para processar como se deve as imagens astronômicas de céu profundo seguindo o fluxo, ainda é preciso contar com um computador.